domingo, 15 de janeiro de 2012

Aventura

Vi seu olhar, seu olhar de festa,
de farol de moto, azul celeste
me ganhou no ato uma carona pra lua...
Te arrastei estradas, desertos
Botecos abrindo e a gente rindo,
brindando cerveja, como se fosse champagne.
Todos faróis me lembram seu olhos, durmo a viajar entre lençóis
seu corpo fica a dançar, no meio do nosso jantar... luz de velas
Aventurar por toda cidade a te procurar, todos lugares
Pintam ciúmes na mesa de um bar, mas você sente a começa a brincar
Diz : Fica frio, meu bem, é melhor relaxar
Palmeira no mar
(Eduardo Dusek)

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

tudo o que restou

E a tardinha ela lavou os cabelos na bacia com a água gelada do poço. Esfregou bem os cabelos com o sabonete cor de rosa. Lavou, penteou e prendeu os cabelos úmidos num coque no alto da cabeça.E foi para a a escola. E depois de encerrada a aula, o menino da sala ao lado companhou-a na volta para casa.
E no ponto em que se despediam, em que cada um seguia o seu rumo, aconteceu o primeiro beijo. Um beijo consentido, não um daqueles beijos receosos, daqueles beijos roubados. Não, um beijo onde entregou não apenas a boca, mas entregou a alma.
E depois do beijo, nenhuma palavra. Apenas virou-se e seguiu na direção do seu caminho. E no resto do caminho até sua casa, a menina sentia o coração disparado. Instintivamente, desfez o coque do cabelo, e os sentiu ainda úmidos. E sentiu o cheiro do sabonete. E o que ficou na lembrança daquele beijo foi aquele cheiro.
( do Livro Tudo o que restou)

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

pois é, que pena

Eu gostava do seu beijo, porque era o seu beijo. Gostava dos seus abraços,  porque era o seu abraço. Eu gostava do seu cheiro  porque era o seu cheiro. Gostava do seu cabelo e do jeito como o vento deixava ele bagunçado. Gostava da expressão que tu fazia.  Eu gostava de conversar contigo, de ficar com você quando tudo estava errado. Gostava de como você me tratava com carinho, como me fazia me sentir única e especial. Eu gostava de você quando você me beijava depois de uma briga . Gostava de quando você me fazia rir, quando me deixava irritada ou quando do nada você me fazia cocegas  só para me ver sorrir. Eu gostava de tantas coisas em você, e ainda gosto. Pena que a maioria dessas coisas, eu não  vivi ao seu lado, vivi em meus pensamentos , elas nunca existiram e eu fiquei lá esperando tudo isso ser de verdade e não foi.
Pois é, que pena.

E nós nunca vamos

E nós nunca vamos nos beijar na chuva. Eu também nunca vou calar sua boca com um beijo e nenhuma das nossas brigas vão acabar na cama. Eu nunca vou te observar enquanto você dorme e nunca vou fazer cafuné em você quando você estiver com a cabeça deitada no meu peito. Não vamos passar tardes assistindo filmes românticos debaixo das cobertas e comendo brigadeiro. Também não vamos passar madrugadas acordados conversando. Nossos planos não vão se concretizar. Eu não vou ficar com vergonha conhecendo sua família.Não vamos contar aos nossos filhos a longa e estranha história sobre como nos conhecemos. As pessoas não vão olhar pra nós e falarem sobre como nós somos bonitinhos juntos. Não vamos discutir sobre quem vai levantar pra apagar a luz do quarto. Não vamos ter um futuro.Tudo isso poderia ter acontecido, mas não vai. Porque nós dois fomos feitos pra nos conhecermos, nos apaixonarmos, mas não pra ficarmos juntos.
Vinícius Kretek

Nunca mais

Nunca mais se olharam, nunca mais se tocaram, nunca mais se falaram, nunca mais se esqueceram. Os nuncas que a vida colocou na vida daqueles dois, daquele menino tão diferente, mas, tão igual a todos os meninos, e daquela menina tão igual, mas tão diferente que era até engraçado retratar o dia a dia daquele casal, mas no fundo, não era bem um casal assim. Era somente ela e ele que por ironia, ou não por tão ironia assim fez com que tudo mudasse, e tudo girasse ao contrário.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Ridiculo

Mas eu desconfio que a única pessoa livre, realmente livre, é a que não tem medo do ridículo.

A vendedora de tapetes

No corredor do Shopping , num quiosque  vejo a vendedora de tapete. Tapetes belga, exatamente como eu vinha desejando comprar para coloca-los no meu quarto.Paro, pergunto o preço. Está barato digo, contrariando todas as expectativas para pedir um desconto.  Ela diz: ah meu marido trabalha na fábrica e os repassa para mim. Não cobra a comissão dele, então posso vender mais barato. Ela é simpática, tem carisma como vendedora, e,  sou fisgada pela vontade de possuir os tapetes belga. Pergunto se não são muito pesados para transporta-los, já que estou de ônibus. Ela prontamente me mostra que os tapetes são levissimos, os dobra de forma que caibam numa sacola média e voilá, "saco la tarjeta de crédito". Compra consumada, conto que vou colocar os tapetes no quarto. Que vai combinar com os móveis novos que comprei e nessa conversa entramos no assunto casamento. Conto que estou descasada. E ela me conta; Ah meu casamento está por um fio. Estou por aqui e faz aquele gesto de "cheia". Faz três anos que nem intimidades temos, casamento acabou. Já mandei ele embora, não vai porque a casa é dele também. Ele bebe sabe, me diz ela. Bebe e muito. No Natal até desejei que acontecesse alguma coisa ruim com ele porque é duro viu, trabalhar aqui no corredor do shopping o dia inteiro e chegar em casa e encontrar um traste bebado. Fico constrangida, não sei o que dizer.Como consolar alguém que conta uma verdade assim? Eu poderia perguntar: você o ama? já procurou ajuda para a doença dele? quer manter esse casamento? Vejo que aquela mulher quer compartilhar seu drama, tenho vontade de esperar o shopping fechar, convida-la para um café e juntas compartilharmos a sua história. Mas eu também não tenho certeza se sou capaz de tamanha invasão ou se ela realmente quer essa proximidade. Ela ainda faz uma última tentativa daquele contato não ficar perdido, me oferece seu cartão e me diz: volte outras vezes. Mesmo que não seja para comprar, venha conversar. Eu pego o cartão, coloco na bolsa, me despeço não como cliente, mas como amiga e lhe ofereço um abraço. Quase envergonhada pela intimidade digo: volto sim. Claro que volto. E vou embora.